Antes de mais, e na sequência da proposta de trabalho da disciplina de MED importa definir quais os principais conceitos base associados à Educação a Distância.
Como base desta reflexão encontra-se o livro de Desmond Keegan (1996) Foundations of Distance Education, mais concretamente o seu Capítulo 3 – Definition of Distance Education.
Ao longo dos tempos foram sendo desenvolvidos diferentes sistemas de ensino/aprendizagem a distância, cada qual com as suas características e terminologias próprias (ensino por correspondência, estudo em casa, estudo independente, estudo externo, ensino a distância, aprendizagem a distância).
Keegan procura, na sua obra, fazer convergir os conceitos associados a cada um desses sistemas, e definir uma base terminológica e conceptual para a designação de Educação a Distância. Considera ainda as contribuições e definições de diversos autores que, no seu estudo e investigação, contribuiram para o desenvolvimento deste conceito ao longo do tempo.
Neste particular, destaco a definição de Holmberg (1977):
“The term ‘distance education’ covers the various forms of study at all levels which are not under the continuous, immediate supervision of tutors present with their students in lecture rooms or on the same premises, but which, nevertheless, benefit from the planning, guidance and tuition of a tutorial organisation.”
Com base nesta definição podemos já começar a delimitar alguns conceitos base associados à Educação a Distância: a separação física entre o tutor e o aluno e a existência de materiais e modelos pedagógicos especificamente planeados e estruturados para este regime educacional.
Refinando estes conceitos com experiências e práticas posteriores podemos considerar que a separação física entre tutor e aluno não será uma verdade universal, existindo contextos específicos em que será importante (e às vezes fundamental) incluir uma vertente presencial nestes regimes educacionais. Da mesma forma, deverá existir uma organização educacional de suporte aos processos de planeamento e concepção de materiais e modelos pedagógicos (estabelecimento de regras, normas e conceitos-chave de desenvolvimento).
Para além destas premissas é necessário destacar outros pontos de análise importantes. Um destes pontos diz respeito à importância dos meios tecnológicos nos processos de educação a distância, “substituindo” a figura do tutor presencial como meio de acesso à informação. Por outro lado, o sistemático desenvolvimento dos meios tecnológicos permite hoje em dia que, em tempo real, tutores e alunos possam comunicar entre si, cada um dos quais com funções específicas enquanto sendo, simultaneamente, receptores e difusores; verifica-se assim uma comunicação multidireccional indispensável ao desenvolvimento dos processos de aprendizagem. Finalmente, nos sistemas de educação a distância existe a possibilidade de separar o aprendente enquanto indivíduo das comunidades de aprendizagem típicas do ensino tradicional (as turmas). A educação a distância tanto poderá ser “servida” a um estudante per si, enquanto elemento individual, como a uma “comunidade” de estudantes, tudo dependendo da forma como são estruturados e planeados os materiais e modelos pedagógicos e de desenvolvimento da aprendizagem.
Concluindo, podem-se sistematizar os seguintes conceitos como base para a exitência de uma efectiva Educação a Distância:
- Maioritariamente, tutores e alunos encontram-se separados fisicamente, podendo existir regimes onde os encontros presenciais possam beneficiar os processos de aprendizagem (p.ex. blended-learning, ou mesmo sistemas que combinem este último com elementos de prática simulada específicos do contexto de cada aprendente);
- Existência de uma organização educacional que influencie a definição, planeamento, estruturação e desenvolvimento de materiais, modelos e práticas pedagógicas (p.ex. a Universidade Aberta);
- Existência de um suporte tecnológico, físico ou digital, que dissolva a distância entre tutores e alunos e que possa servir como meio de desenvolvimento/suporte do processo educacional;
- Existência de comunicação multidireccional, onde, para além de receptores, os alunos possam também desempenhar um papel de emissores, contribuindo activamente para o desenvolvimento do seu processo de aprendizagem (p.ex. possibilidade de apresentar dúvidas aos tutores ou dar feedback das metodologias utilizadas).
- A possibilidade dos processos de aprendizagem poderem ser desenvolvidos por um estudante, enquanto indivíduo, ou por uma comunidade de aprendizagem com recurso a metodologias colaborativas e/ou cooperativas.
Neste último ponto em particular a minha conclusão não vai de encontro ao pressuposto de Keegan. Este, considera que na Educação a Distância, as comunidades de aprendizagem são praticamente inexistentes – “(...) the quasi-permanent absence os the learning group through-out the lenght of the learning process(...)”. No meu entender, e com base nas experiências/práticas subsequentes ao estudo em análise, a existência de práticas colaborativas/cooperativas será um dos principais conceitos caracterizadores da Educação a Distância.
Ficam assim, no meu entender, devidamente identificados os principais conceitos/características associados a sistemas de Educação a Distância.
Boas reflexões!!