quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Cibercultura

Existe mesmo uma cibercultura? Uma cultura cuja grande essência é a Internet? Ao considerar a Internet como essência própria de uma cultura, a cibercultura, devemos começar pela própria definição de cultura em si.

Deste modo, a cultura pode ser definida, na sua concepção estrutural definida por Thompson (in Slevin, 2000), como um conjunto de formas simbólicas que se relacionam directamente com contextos e processos historicamente específicos e socialmente estruturados dentro dos quais e por meio dos quais, essas formas simbólicas são produzidas, transmitidas e recebidas.

Estes contextos e processos, definidos por Thompson, assentam tradicionalmente nas dimensões fundamentais da vida humana, o espaço e o tempo. Castells (1996) considera que estes se encontram num processo de reestruturação radical, promovido pelos novos suportes de comunicação:

"As localidades são despojadas do seu sentido cultural, histórico e geográfico e reintegram-se em redes funcionais ou em conjuntos de imagens, ocasionando um espaço de fluxos que substitui o espaço de lugares. O tempo é apagado no novo sistema de comunicação já que passado, presente e futuro podem ser programados para interagir entre si, na mesma mensagem. O espaço de fluxos e o tempo atemporal são as bases fundadoras de uma nova cultura, que transcende e inclui a diversidade dos sistemas de representação historicamente transmitidos: a cultura da virtualidade real, onde o faz-de-conta se vai tornando realidade."

Também os processos de produção, transmissão e recepção de formas simbólicas se reordenaram com a implementação cada vez mais abrangente da Internet. Segundo Slevin (2000), a utilização da Internet está a criar novas formas de acção e interacção e a reordenar a maneira como os indivíduos interpretam e reagem ao mundo social.

Poster (in Abrantes, s/d) afirma mesmo que, mais que uma reordenação, existe mesmo um abatimento das fronteiras entre os processos de produção, transmissão e recepção, numa nova configuração das relações de comunicação caracterizada por um sistema de múltiplos produtores-distribuidores-consumidores, a comunicação “all-to-all” referida por Castells (1996).

Entramos assim, de acordo com Abrantes (s/d) numa cultura totalmente criada e transformada no espaço virtual proporcionado pelos meios digitais – a cibercultura.

1 comentário:

Anónimo disse...

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